Boa Midia

Gritos por Bolsonaro e silêncio por José Riva e Silval

Eduardo Gomes

@andradeeduardogomes

eduardogomes.ega@gmail.com

 

Respeito a ideologização que bota em campo opostos a direita e a esquerda, porém repudio o radicalismo de ambos. Admiro o sexto sentido político que leva o indivíduo a falar e ao silêncio. Parabenizo os bolsonaristas que vão às redes sociais e aos jornais em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que acaba de ser preso, e entendo o ‘boca fechada’ da classe política, ontem, quando das prisões de José Riva e de Silval Barbosa.

Dentre outros, cataloguei manifestações de apoio a Bolsonaro por parte de Otaviano Pivetta, Abílio Brunini, Antônio Galvan, Gilberto Cattani, Mauro Mendes, Elizeu Nascimento, José Medeiros, Rafael Ranalli, Fábio Garcia, Wellington Fagundes, Nelson Barbudo e Jayme Campos. Entendo que pela ótica da ideologia que professam ou fingem professar, estão corretos. Sou longevo no jornalismo e acompanhei o silêncio sepulcral da classe política quando das prisões do ex-deputado estadual José Riva e do ex-governador Silval Barbosa; naquele período, José Riva era mandachuva na Assembleia Legislativa e quando a Polícia Federal o prendia, o Legislativo funcionava normalmente, com o vice-presidente assumindo a presidência da sessão, onde não se ouvia um gemido sequer sobre a prisão e a fundamentação apresentada para a mesma.

O barulho – no melhor sentido da palavra – agora é defesa de princípios democráticos. O silêncio ontem, certamente era para não haver associação do nome de quem protestasse com o deputado estadual  e o governador atrás das grades.

Tanto o barulho quanto o silêncio são compreensíveis em situações assim. Porém, é imperdoável a indiferença da instituição Assembleia Legislativa, que tendo um de seus membros preso acusado de improbidade administrativa fingisse que tudo continuava como um verdadeiro mar de rosas.

Que o bolsonarismo resista, insista, que lute com todas as armas democráticas possíveis. Através do voto e somente por ele, com a renovação do Congresso bicameral será possível fazer as correções de rumo que o Brasil tanto clama e precisa.

Que nenhum bolsonarista se envergonhe em elevar a voz por seu líder e que todos tenham em mente que indulto e perdão existem para aqueles que estão presos ou a um passo da prisão.

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Que o lulismo também se agite e se manifeste. Do contraditório é que se extrai a razão. Em Mato Grosso, salvo um ou outro político de esquerda e alguns nas redes sociais, o apoio a Alexandre Moraes pela decretação da prisão preventiva de Jair Bolsonaro é pequeno.

A esquerda precisa ocupar espaço perante a opinião pública, mas, no entanto, sua grande vitrine, a médica e empresária Natasha Slhessarenko (PSD), pré-candidata ao governo, presta um grande desserviço aos apoiadores do presidente Lula da Silva. Natasha assume postura de cristã de direita como se a militância esquerdista fosse uma doença altamente contagiosa. A começar pelo nome russo seguido pelo sobrenome e passando pelo histórico esquerdista de sua mãe, a ex-deputada estadual e ex-senadora pelo PT, Serys Slhessarenko, a ‘direitista’ Natasha esconde sua identificação ideológica, o que poderá resultar num efeito cascata sobre todos os filiados ao PT, PCdoB, PV, PSB e PSD que disputarem as eleições em 2026.

Natasha tem um berço do qual pode-se orgulhar. Negar sua origem e ideologia é avançar pela retaguarda nesta ensolarada e abençoada terra no centro da América do Sul, onde a familiocracia impera.

Que os bolsonaristas prossigam em sua luta. Que Carlos Fávaro, o líder da esquerda, faça as devidas correções de rumo, sobretudo quanto à sua afilhada política Natasha, e que todos, de ambas as ideologias defendam suas convicções, mas sem se deixar levar por caminhos que devolvam Mato Grosso ao triste ciclo de José Riva e Silval, pois o que ambos desviaram – e permitiram que fosse desviado – continua fazendo falta para a saúde, educação, segurança, transporte, habitação e para a figura do Estado como um todo.

Entendo que estamos numa quadra da vida divisora de época. Temos o fator novidade que é a ideologização, e isso, sem sombra de dúvida, tem que ser creditado a Jair Bolsonaro. Reconheço a altivez do bolsonarismo, lamento a postura de Natasha e peço a Deus que não permita que Mato Grosso se deixe seduzir por posicionamentos frenéticos, sorrisos angelicais, por bandeiras levantadas em nome de causas comuns a todos de modo a levar a população mato-grossense a sofrer tanto como sofreu no ciclo da corrupção de desenfreada de José Riva e Silval Barbosa.

Bola pra frente, direita. Bola pra frente, esquerda. É tempo de disputa ideológica sem espaço para aventuras eleitorais que apontem para o abominável.

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