Dois dedos de prosa com o governador Pivetta
Eduardo Gomes
@andradeeduardogomes
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Em pouco mais de meio século, que é um curto espaço tempo, Mato Grosso deu largas passadas que o tiraram da condição de estado periférico para um dos pilares da política de segurança alimentar mundial. Saímos das lavouras algodoeiras de toco e dos boias-frias esfarrapados e cobertos de cinza nos canaviais para a mais moderna tecnologia a serviço do homem do campo, numa evolução a olhos vistos, que sobretudo valorizou, respeitou e concedeu dignas condições de vida aos que trabalham fora das áreas urbanas. Em paralelo a isso, o vazio demográfico no cerrado de solo vermelho viu brotar cidades do dia para a noite, testemunhou as rodovias chegarem nos rastros das esteiras dos tratores, os hospitais e as escolas despontando por todos os lados como se fosse um passe de mágica. Presenciei parte dessas conquistas em todas as regiões, mas nunca um ato político oficial nos transmitiu tamanha esperança quanto sua posse no governo ,nesta terça-feira, 31 de março, Otaviano Pivetta. Você ainda não se acostumou com a principal cadeira mato-grossense, mas antes mesmo de seu primeiro ato, tenho certeza que a Terra de Rondon respira o ar da esperança e da confiança de que sob sua administração as conquistas serão maiores do que a média até agora alcançada, e os gargalos sejam eles federais, estaduais ou municipais, serão superados pela mistura de sua sensibilidade com a determinação de quem lidera e o conhecimento de quem sabe o que é necessário e como fazê-lo. Viro a página de março e entro em abril para me encontrar com o amanhã que surgirá pela ousadia é que sua marca característica.
Nem o mais radical dos opositores de Mauro Mendes nem o menos lúcido dos cidadãos pode dizer que em Mato Grosso os sete últimos anos não foram de desenvolvimento e crescimento. Nesse período, o governante foi Mauro Mendes e você o secundou discretamente para os olhos da população, mas os prefeitos que faziam romarias ao seu gabinete sabem bem quanto sua atuação foi importante e decisiva em muitas circunstâncias.
Tenho certeza de que o estilo Pivetta dará um choque sobre a administração positiva que foi a de Mauro Mendes. Sua posse não é obra do acaso nem mero rito constitucional. Mato Grosso está numa quadra temporal, onde o amanhã no aspecto social e econômico está bem perto, e por isso, a presença divina o colocou à frente dessa terra, para que as decisões palacianas não criassem obstáculos ao óbvio que se espera, e ao contrário, contribuíssem para que os quase quatro milhões de xomanos se deparem o quanto antes com o melhor que o campo e a cidade podem proporcionar no coração do continente sul-americano.
Você é uma das figuras mais populares na nossa terra de dimensão quase continental, porém muitos não conhecem seu lado ousado e isso não seria mesmo possível para uma população diluída em lugares tão distantes uns dos outros, como Vila Rica e Comodoro, Apiacás e Itiquira, Novo Mundo e Alto Taquari, Araguainha e Cotriguaçu conhecessem o estilo ousado do nosso governador. Creio que no dia a dia de seu governo, ainda que sua faceta não se torne de domínio público, não faltará uma mulher ou homem que não tenha palavras para reconhecer seu trabalho – e associá-lo ao seu perfil.
Tive a felicidade de presenciar um desafio lançado por você, que resultou no Programa Estradeiro, do ex-governador Blairo Maggi. Blairo foi a Lucas, na quarta-feira, 27 de novembro de 2002, em busca de sugestões para seu governo que começaria em 1º de janeiro. O CTG Sentinela da Tradição estava abarrotado e os discursos não saíam da água com açúcar, até que o governador eleito o desafiou para uma parceria pela pavimentação da MT-449 no curto trecho entre a cidade e o Aeroporto Bom Futuro. O público gostou da proposta, porém, você não somente a melhorou como lançou as sementes do Estradeiro. Você era o prefeito anfitrião e na mesa de honra estava seu colega de saudosa memória, Reinaldo Tirloni, de Tapurah, município vizinho. Você disse a Blairo que a sugestão dele era tímida, e que ao invés da pavimentação até o aeroporto, que o asfalto avançasse a Tapurah num trajeto de 96 km. A obra, por sua sugestão, seria compartilhada pelo governo, as duas prefeituras e produtores rurais, o que levou à criação das Parcerias Público-Privadas (PPPs Caipiras) que mudaram a malha rodoviária estadual e sepultaram muitas balsas. Depois de tudo acordado verbalmente, você sugeriu o nome de Rodovia da Mudança para o trecho que seria pavimentado. O Estradeiro projetou Luiz Antônio Pagot, que era o secretário de Infraestrutura e mais tarde seria presidente do Dnit.

Na manhã chuvosa do sábado, 29 de novembro de 2003, acompanhei o ministro dos Transportes, Anderson Adauto, Blairo,você, Pagot, Tirloni e o saudoso senador Jonas Pinheiro cortando a fita simbólica da pavimentação da Rodovia da Mudança.
Quando você deu vida ao Estradeiro, Lucas tinha 21.972 habitantes. O prefeito de uma pequena cidade ao invés de aceitar uma provocação (no melhor sentido possível da palavra) de um governador o levou para executar um grande programa rodoviário. É esse Pivetta audacioso, vibrante, objetivo e discreto que Mato Grosso precisa, pois o progresso o acompanha quase pisando em seu calcanhar.
