Série Verso e reverso de Mato Grosso (25)
Eduardo Gomes
@andradeeduardogomes
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Vigésimo quinto capítulo da Série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente.
Na minha longa trajetória na Imprensa permeada pelo vaivém sem fim entre municípios, conheci o verso e o reverso de Mato Grosso com seus personagens e, dentre eles, Baú, que tem suas digitais no alicerce da construção da cidadania no Vale do Araguaia, e ao qual reverencio com o texto a seguir:
Em 1873 o mineiro de Lagoa da Prata, José Antônio de Almeida, era um jovem piloto em busca do pão de cada dia. Naquele ano, com seu Cessna 172, ele decolou de Paracatu, em seu Estado, com destino aos garimpos de ouro em Itaituba, no Pará, onde pretendia trabalhar. Na rota, pousou em São Félix do Araguaia para prosseguir no dia seguinte.
Em São Félix, pilotos desaconselharam José Antônio a tentar a sorte no Pará. Seu avião, de pequeno porte, não se encaixava no perfil das aeronaves que voavam garimpo. Pensativo, fechou a porta do quarto do hotel para dormir, sem saber se decolaria ou se ficaria.
Ao clarear o dia o porteiro bateu na porta do quarto de José Antônio: “acorda, ó do BAU! Tem um pessoal precisando voar”. Com seus botões ele pensou: “lugar bom pra se ganhar dinheiro”.
Os voos continuaram . Seu coração também bateu as asas e o levou ao altar com a noiva Nilva Maria Mendes da Silva, que ao lhe dizer “sim” transformou-se na senhora Nilva Maria de Almeida.
Nunca mais Baú saiu de São Félix, onde além de tudo que a vida lhe deu, ganhou o apelido do prefixo de seu Cessna, porque seus primeiros clientes não sabiam seu nome e o identificavam como sendo o homem do BAU, mais tarde apenas Baú.
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Por duas vezes Baú foi prefeito de São Félix do Araguaia, a cidade que lhe rendeu o apelido e onde o encontro das águas do rio das Mortes com o Araguaia resultou no surgimento da lendária Ilha do Bananal, no Tocantins.
Baú também exerceu mandato de deputado estadual, não voa mais profissionalmente e reside em sua fazenda próxima à cidade. Dona Nilva é a vice-prefeita do município e anteriormente também exerceu o mesmo cargo.
PS – Continuem lendo a série. Amanhã, sábado (21) o vigésimo sexto capítulo.
Foto:
Eduardo Gomes
Arte:
Marco Antônio Raimundo
Nunca mais Baú saiu de São Félix, onde além de tudo que a vida lhe deu, ganhou o apelido do prefixo de seu Cessna, porque seus primeiros clientes não sabiam seu nome e o identificavam como sendo o homem do BAU, mais tarde apenas Baú.