Boa Midia

Wellington pode ser tudo, menos de direita

EDUARDO GOMES
@andradeeduardogomes
eduardogomes.ega@gmail.com

 

A seta diz tudo

O sonho do senador Wellington Fagundes (PL) em ser governador é legítimo. Legítima também será sua candidatura uma vez homologada pelo PL presidido por seu antigo assessor Ananias Filho. Só não há legitimidade do rótulo de direita que Wellington tenta dar à sua pré-candidatura. Em meio a tantas postagens de interessados e com suporte da mídia regiamente remunerada o parlamentar massifica a rotulação, que pode ser absorvida por aqueles que desconhecem sua trajetória política. Em suma: há um nome para a avaliação do eleitorado, mas sem a clareza necessária para desmistificar o rótulo direitista que a estrutura de marketing tenta colocar ao mesmo.

Muito acima de definição ideológica, Wellington é uma figura sensacional e não poderia ser mesmo diferente, pois no berço aprendeu postulados de virtudes que nenhum adversário – e até mesmo desafeto pode negar. Afinal, os ensinamentos lhe foram transmitidos  com rigor pela docilidade paterna de um filho da Boa Terra que muito contribuiu para a formação de Rondonópolis, o seu pai, João Antônio Fagundes, o seo João Baiano, que somente não contou as passadas dadas durante dois meses, do sertão esturricado da Bahia até Poxoréu, mas que o percorreu passo a passo, com a certeza que encontraria o mundo que sonhava para sua família.

Amigos para…

De Santana dos Brejos, na Bahia, para Poxoréu. Esse o trajeto. À época da caminhada de João Baiano Rondonópolis não passava de um vilarejo perdido à margem do rio Poguba, que teimamos chamar de Vermelho. Distante 90 km, a referência urbana era a grande praça do garimpo de diamante ao pé do Morro de Mesa, ao lado do rio Poxoréu, que lhe empresta o nome. Dali, João Baiano fez sua segunda migração, mas não passo a passo, e sim, num possante que o deixou em Rondonópolis, de onde somente saiu depois de formar todos os filhos, de levar uma vida longeva ao lado de sua mulher dona Minervina Fagundes, a dona Miné. Sua saída não foi carnal. Deixou a cidade levado pelo plano espiritual nas asas da espiritualidade que é o desfecho de todos.

Wellington nasceu em Rondonópolis. Começou na vida pública vencendo a eleição para presidente da ACIR, a associação dos empresários do lugar. Depois, levado pelo primo e prefeito Hermínio Barreto foi seu secretário na prefeitura. Em 1990 chegou ao Congresso com um mandato de deputado federal e de onde nunca mais saiu. Foi reeleito em 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010. Em 2014 e 2022 foi eleito e releito senador. No longo período em Brasília, Wellington teve dois tropeços eleitorais para prefeito de sua cidade, e uma derrota ao governo em 2018.

A trajetória de Wellington no Congresso é longa. Já se foram 36 anos. No período ele carregou a roupagem do PL, com curtas passagens pelo PDT, PSDB,e pelo PR. Legenda sempre foi algo insignificante no Brasil pós-1964 – antes a UDN, PSD, PTB e alguns nanicos tinham filiações fidelíssimas. Articulado, Wellington descobriu no Dnit a cereja do bolo para seus mandatos. Tanto assim, que nomeou para sua superintendência em Mato Grosso, seus assessores de gabinete Cinésio Nunes e Luiz Antônio Garcia. Grudado no Dnit, Wellington aliou-se a Lula I, Lula II e Dilma. O entrosamento de Wellington com os presidentes petistas foi o mais harmônico possível. Em contrapartida, foi um dócil oposicionista confiável e ele nunca negou isso.

… Sempre

Bolsonaro, como todos os que bebem água sabem, sempre foi turista partidário. Numa dessas andanças o Mito caiu no PL de Valdemar Costa Neto – quem não se lembra de Valdemar Costa Neto preso? – e com o jamegão no PL o Mito ressucitou Wellington politicamente, pois o mesmo sequer dava conta de eleger vereador em Rondonópolis e muito menos de indicar nome para vice e prefeito em sua cidade. Antes queridinho de Lula e Dilma, agora Wellington se apresenta como sendo bolsonarista de carteirinha.

Trocar de partido é direito no Brasil. Tanto assim, que para evitar embaraços, criaram a janela partidária. Mudar o perfil ideológico também é permitido, até mesmo para quem não tem ideologia. Porém, querer chegar ao Governo de Mato Grosso sob a sombra da direita raiz bolsonarista é outra coisa. Wellington tem direitos, mas à luz da verdade o rótulo de direita não soa bem para ele – é o mesmo que falar em corda na casa de enforcado.

Wellington não tem perfil nem histórico de direita.Wellington foi filiado ao PSDB de Dante de Oliveira – ex-militante do clandestino MR-8 marxista – para ocupar o cargo de secretário Extraordinário de Projetos Estratégicos de Mato Grosso. Em 2014 Wellington se elegeu senador com o segundo suplente professor Manoel Motta (PCdoB) e coligado com o PT. Em 2018 ele foi derrotado por Mauro Mendes (União) ao governo, em primeiro turno, encabeçando uma chapa do PL coligado com o PT, PCdoB e PV. Mesmo alinhado com a esquerda, Wellington seguiu a maioria que votou pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff para jogar o cargo no colo do peemedebista Michel Temer.

Que no palanque de Wellington se diga verdade, que não seja uma tribuna para alardear falsa ideologia de direita, e  se transformar em reduto da familiocracia – como tantos outros.  Claro que com Bolsonaro servindo de muleta a busca pelo voto é facilitada neste abençoado e ensolarado Mato Grosso onde o Mito elegeu até postes, mas, melhor ainda é dizer verdade e, se não for possível falar sobre o desempenho parlamentar, que permaneça em silêncio – não é cômodo dizer ao eleitor que em 36 anos no Congresso sua única marca foi o embrião do Estatuto do Idoso, além, e claro, das emendas que fazem a alegria de prefeitos e empreiteiros Brasil afora.

Que Wellington dispute em pé de igualdade com os demais. Que retire de seu dicionário a palavra ‘direita’, para que seu discurso seja verdadeiro, como seu pai o ensinou e gostaria que ele disesse. Assim, Mato Grosso riscaria da rivalidade eleitoral a palavra ‘melancia’, que o bolsonarismo raiz sempre usa para rotular Wellington, que poderia ficar livre desse vexame, pois seu histórico é uma gazua capaz de abrir qualquer porta para mostar sua longevidade parlamentar sem necessidade de tentar transmitir uma identidade ideológica falsa, ou como se diz nos tempos modernos, fake news. Caso ele insista no direitismo sua maior arma promocional não poderá ser ativada na campanha que se anuncia: o seu Luís, aquele que dizia assim: vote no Ueeeeelton, que o Ueeeeelton não mente.

Fotos 2 e 3 – Divulgação

 

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